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Tu ne cede malis sed contra audentior ito,

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Mas..

Notei algo recorrente que vinha praticando durante toda minha vida ou melhor durante todo o tempo que passo escrevendo. O uso do mas no principio das frases. 
É algo que até então não ligava muito até começar a reparar que em todos os textos lá estava ele como se fosse um maneirismo ou um vício de escrita.
Rapidamente comecei a observar e me perguntar: Será que eu estou fazendo isso da maneira certa?
Confesso que eu passo longe de conhecer tudo quiça metade das regras gramaticais pois como o nome já sugere são regras e quase todas em grande parte requer um exercício de memorização até está completamente habituado. 
Um exemplo disso é quando ou não usar a vírgula antes do mas. Isso até eu saber que não é 
obrigatório em todas a situações.

"E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, etc."

 O uso estilístico da conjunção mas no principio das frases, isto é, seguindo a retomada de um argumento após o uso do ponto também é legítimo. Eu não estava necessariamente errado e descobri até que o seu uso era muito bem usado e apreciado como autores do calibre de Virgílio Ferreira e José saramago (o que me motivou a escrever este texto). Foi uma característica de escrita desenvolvida sem que houvesse uma influência externa e isso merece ser comemorado. 
O que eu posso tirar de aprendizado é de não ter receio em continuar escrevendo, mesmo que para ninguém. Um dia quem sabe eu possa experimentar um reconhecimento. 


sábado, 16 de março de 2019

Provocações: Um ensaio sobre o Bom e o Mito, O Lúcido, O Orador e o Diplomata (Parte I) - Título provisório





Como tratar da vida e obra de 4 proeminentes pensadores e idealistas em conjunto como a de Luis Gama, André Rebouças, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, a respeito de assuntos tão marcantes como a Escravidão até chegar ao abolicionismo?
Tarefa não tão fácil ainda mais quando a proposta é transcorrer por estes temas sem primeiro esta sob as lentes de movimentos negros ou a movimentos monárquicos (o que tentarei o máximo possível ser imparcial) e segundo porque cada um teve suas particularidades e diferenças.
Um exemplo disso que começarei a tratar neste artigo é a de Luis Gama que era contrário a monarquia e considerado por muitos o maior abolicionista do Brasil, mas antes devemos adentrar sobre o contexto histórico que regia aquela época. 
Para isso dividirei em dois blocos: Movimento emancipacionista e o início de fato dos movimentos Abolicionistas que começaram a incutir de 1879 á 1888.
Porque é necessário estabelecer esta linha divisória? Por questões sociais e políticas que permeariam os dois blocos.
O primeiro se antecederia pela conquista de leis importantes que minariam o poder econômico gradual de alguns produtores e proprietários de escravos, como a própria Lei Eusébio de Queirós sendo endossada pela  Lei Nabuco de Araújo que intensificaria a repressão ao tráfico de escravos atribuído a Marinha a função de incriminar e julgar quem descumprisse a lei Eusébio. 

Anos mais tarde em 1871 foi inserida a Lei do Ventre Livre (uma lei cujo o objetivo era limitar a duração da escravidão por meio de concessão de alforrias á crianças nascidas de mães escravas no Brasil) que teve como base inspiradora uma série de propostas apresentadas pelo Visconde de São Vicente em 1866, porém, como naquele mesmo ano a Guerra do Paraguai chegaria ao seu ápice, todas as movimentações do governo para acelerar o processo emancipatório da escravidão resfriaria.
Única decisão tomada durante o tempo de guerra foi a proibição dos leilões de escravos.

Um dos entraves no pós guerra seria como articular tal processo emancipatório, a brecha que viram seria portanto de forma gradativa sem comprometer o sistema econômico, pois infelizmente a base da nossa economia ainda era provida do trabalho escravo, portanto para tal transição requereria tempo tornando- se o sistema escravocrata no Brasil como o que teria maior longevidade na América. 


           Luís Gama (1830- 1882)



Dado de forma bem resumida sobre o contexto dos anos 60 e início dos anos 70 do século XIX
recorremos sobre um personagem ilustre de tal época e algumas considerações minhas pois a esta altura existem centenas de publicações a seu respeito, não obstante tentarei propor de forma bem apanhada e com outras considerações.
Das quatro proeminências que retratarei, Gama foi o único deles que passou parte de sua juventude como escravo sendo que até os seus 17 anos permaneceria analfabeto. O grande pulo do gato em sua vida se deu quando ele conquistou sua própria liberdade judicialmente e passou a advogar em defesa dos negros cativos ou pobres como Raul Pompéia (1863- 1895) e outros o descreveria como o Apóstolo negro da abolição. Há um estimativa de Luis Gama ter libertado do cativeiro mais de 500 escravos, porém não há outro documento que comprove a não ser por sua carta autobiográfica endereçada a Lúcio de Mendonça seu amigo e Jornalista. 

A polêmica 

É ai que entrarei em um campo pouco abordado e controverso a respeito da história de sua história e de sua mãe: Luiza Mahin.
Dentre tudo que está disperso na internet é de uma extrema felicidade quando você entre várias pesquisas se depara com um achado interessante. Portanto para corroborar com o que direi aqui estará intrinsecamente ligado com a publicação da professora Doutoranda Dulcilei da Conceição Lima no seu trabalho: Luiza Mahin: Estudo sobre a construção de um mito libertário.

Dois anos antes de seu falecimento Luis Gama ainda em sua carta autobiográfica a Lúcio Mendonça
descreve os trejeitos de sua mãe, Luiza Mahin que seria uma africana de origem Nagô, livre e pagã, recusando o batismo cristão. Sua figura seria canonizada tempos depois pelo movimento negro, mas bem antes disso com o surgimento de vários conteúdos impressos via romances ou publicações, endossaria o desenvolvimento de sua mitificação até os dias atuais.

Segundo a autora, na década de 1980 as ativistas do Movimento negro unificado buscaram em suas ancestrais exemplos de luta e resistência que pudessem erigir como simbolo e enfatiza que pela mãos das mesmas ligado a este movimento, o mito foi reelaborado como produto da imaginação simbólica, apropriado pela memória social. 

Na sua sua carta, Luis Gama faz alguns apontamentos a respeito de sua mãe, que tempos depois seria levantado contradições sobre a real existência dela ou se factivelmente seria uma figura criada por ele.

A principal evidência encontrada esta em uma das obras de Gama: Minha Mãe de 1861, na qual ele ressalta a fé cristã da mãe e toda sua religiosidade o que o levaria a contradição em sua carta. Mahin também revive na obra Malês: A insurreição das Senzalas (1933) de Pedro Calmon (1902- 1985) que romanceia a Revolta dos Malês (ocorrida em 25 de janeiro de 1835) construindo também sobre ela uma imagem mitificada já que dado pelo autor o fracasso do levante a ela, por ter sido ela quem denunciou o plano dos revoltosos, foi sua participação no levante que constituiria sua imagem de valor de mulher negra no Brasil.  Nos anos 70 do século XX, o autor seguido por outro, Arthur Ramos fizeram uma recontextualização daquilo que escreveram 40 anos atrás, situando Luiza Mahin como simbolo da luta da mulher negra, por ter segundo os mesmos, feito de sua casa um dos principais espaços para reuniões dos Malês para a preparação da revolta e estando ela mesma entre as lideranças da rebelião. 
Obviamente que isto foi incorporado pelo segmento feminino do movimento negro, posta em prisão, ela e os demais desapareceriam. Criando assim em torno da personagem sua autonomia própria.

Segundo a Professora Doutoranda Dulcilei que estou usando como base para pontos chaves deste texto enfatiza que em 2006, Ana maria Gonçalves publicou 'Um defeito de cor, uma biografia de Luiza Mahin que contempla, desde sua saída da África como escrava para o Brasil, com cinco anos de idade, até sua vida no continente após seu retorno. Vale reforçar como a mesma professora fez que não pretende discutir por quais motivos Gama teria inventado a personagem, mas analisar a sua usurpação pelo seguimento feminino do movimento negro e tratar das reelaborações que garantiram a manutenção da Mahin no imaginário e na memória afro- brasileira acerca da imaginação simbólica e memória coletiva. 

Ainda sobre os anos 70, com o sentimento democrático e as movimentações populares pedindo por redemocratização, o movimento negro se reorganizou. Nesse momento foi fundado o movimento Negro unificado, que entre outras medidas, optou por celebrar a memória de Zumbi dos Palmares ( Outro personagem mitificado) como principal referencial histórico na luta do negro brasileiro. De tal modo que o dia 20 de novembro (suposto dia que seria a da morte de Zumbi) passou a ser celebrado como Dia da consciência Negra em contraposição ao dia 13 de maio, tratado por eles como o dia em que a monarquia brasileira concedeu a liberdade aos escravizados. 

Reparem como eles usaram o conceito de Mito muito bem em todos os personagens, é algo similar com o qual eu abordei no meu ultimo texto para este Blog sobre o conceito de Herói/ Mito pela semiótica de Umberto Eco. Semiótica =  Que estuda o processo de sinais, signos, símbolos, alegoria, metáfora, analogia, semelhança e comunicação. Existem outros das quais não lembro no momento.

Heróis são símbolos poderosos, encarnações de idéias e aspirações, apoiado de uma identificação coletiva e nesta memória coletiva há o processo de adaptação pois os envios do presente que vão permear a memória de encontro com a dinâmica social. Um bom exemplo disso é o de Zumbi dos Palmares, ou de como a professora bem diz, da suposta participação de Luiza Mahin no levante que se garantirá sua manutenção na memória coletiva. 
Como se cria um mito então? da sua imaginação, se efetiva da crença, intuição ou da fé é através assim que o Mito pode se opor aos fatos ou aos registros históricos que se contrapõem.
Portanto o caso de Mahin evoca uma reivindicação de uma memória coletiva ao qual os movimentos interessados buscaram a construção dela com os atributos necessários para garantir a coesão, a própria existência do movimento, abrindo espaço para reforçarem ideais até serem engolidos nos dias de hoje por questões de lutas classes de essência puramente marxista.

Ou seja a lenda, no entanto, não sobrevive ao menor escrutínio dos fatos, o mito em torno de seu nome só sobrevive a uma profunda ignorância, típica da nossa má formação intelectual que ainda confunde indignação estéril contra a pobreza com defesa de grandes ideias. 
Aos olhos da história que não se deixa contaminar com propagandas meticulosamente ideológicas, longe das obras de ficção compromissadas com a manutenção do que há de mais atrasado no nosso pensamento contraditoriamente progressista. 



Próximo Capítulo André Rebouças



“Compreenda Meu Santinho que estou cansadíssimo do mundo, da vida, e sobretudo da tal civilização... Espero que Deus conceda-me o Fim n’África e que possa ali alcançar o repouso eterno.

André Rebouças.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Alguns aspectos sobre o "Mito", Fantasia e ilusão dos Heróis



Certa vez em uma aula um antigo professor meu de Filosofia abordava sobre como o pensamento mitológico grego se assemelhava á concepção dos heróis do capitalismo ocidental, segundo ele especialmente o Norte- americano, já que umas das principais formas de "impor" a ideologia capitalista era por meio da representação da fantasia e ilusão fundamentando-se na origem, na força e nos desejos emocionais dos heróis. 

Ao que entendi, ele se referia também ao Mass media ou, meios de massa já que os heróis ou mitos que ele citou podem ser encontrados hoje em todas as mídias inclusive nas histórias em quadrinhos que é aonde explicarei mais em diante.

Outra crítica levantada é de como tais heróis eram sempre superiores aos homens comuns, permitindo que todos que se inserem nessa forma de pensar é o que determina a identidade humana, sendo segundo ele a ideologia do Capitalismo. 

Confesso que ao reler o livro dele  "Elementos da Filosofia antiga aplicados a comunicação interna como produto de mercado" fiquei incomodado algumas vezes sobre exatamente como ele emprega a palavra 'Ideologia' ao capitalismo. Já que capitalismo não é uma imposição do governo, nem o mercado é uma ideologia em que a teoria necessariamente precede a prática. O capitalismo segundo a escola austríaca de economia ao qual escrevi recentemente no Blog, é simplesmente o que ocorre quando as pessoas tem liberdade para fazer trocas, apoiadas por preceitos fundamentais como direitos de propriedade bem definidos.

Hoje eu compreendo com mais clareza, que o que o meu professor estava se utilizando era de uma corrente de pensamento, ou seja uma outra ideologia para sustentar alguns argumentos.
E essa escola se chama a Escola de Frankfurt. Fica mais claro pra mim quando em uma página da sua obra ele comenta " Nesse mundo capitalista e materialista, temos a necessidade de uma cultura do espetáculo comercial" e completa "Uma das manifestações mais importantes do mito- o herói encontra-se em quase todas as áreas da cultura de massa". 

Para os que não sabem a Escola de Frankfurt explicada bem por cima, foi uma corrente de pensamento de influência Marxista. Para seus criadores tanto Adorno quanto Horkheimer a cultura de massa ou industria cultural, as ideologias vinculadas pelos meios de massa em forma de entretenimento viram a reforçar os interesses da classe dominante, que a "industria cultural" consegue fazer com que os seus consumidores se tornem incapazes de perceber a "opressão" de que são vitimas, que portanto é ilegitimo a cultura, os meios de massa. 

A ESCOLA EUROPÉIA SOCIOLÓGICA

Quem vai dizer o contrário disso, é a escola européia sociológica, mais especificamente o grande escritor, filósofo, linguista Umberto Eco (1932-2016) na sua obra 'Apocalípticos e integrados' (1965) mas a grande maioria o conhece pela obra 'O nome da Rosa' (1980) ao qual acabaria ganhando adaptação em filme estrelado por Sean Connery em 1986.
Eco crítica tanto aqueles que enxergam a decadência cultural provocada pela cultura de massa (Apocalípticos) tanto quanto aqueles que consideram a sociedade de massa a possibilidade de acesso das massas á cultura, (integrados)
Sim, são idéias generalistas para explicar fenômenos mais complexos entre pessimistas e passivos. 
Eles através da Teoria Culturológica validam porque os meios de massa, isto é a cultura de massa é legítima.  Se para a escola de Frankfurt ( teoria crítica) vêem os meios como alienação das massas, por outro lado estes vêem a cultura como aquilo que as massas desejam. Em outras palavras, o que mais atraiam a atenção da escola sociológica eram as produções culturais que envolviam grande público. Eles deram mais atenção aos produtos da chamada industria cultural do que os meios de comunicação. E isto me leva ao último ponto do texto. 


O MITO DO  SUPER HOMEM
Alguns aspectos sobre o "Mito", Fantasia e ilusão dos Heróis

Umberto Eco corrigiu algumas características encontradas em escolas anteriores inclusive a de Frankfurt. O autor analisou algumas produções culturais (Estórias em quadrinhos, filmes, revistas, como mencionado acima) buscando entender a importância que tais produções tinham para o seu público, independente do conteúdo "Alienante ou emancipador" que pudesse conter.
Sendo um capítulo bem extenso dividido por sub-capítulos no já citado livro 'Apocalípticos e integrados' o mito do Superman.

O perfil do fã do Herói, o comportamento e a influência exercida pelo desenho no leitor é considerado pela a semiótica de Eco. Todavia a imagem do Superman não escapa ás possibilidades de identificação por parte do leitor. De fato, o Superman vive entre os homens sob as falsas vestes do jornalista Clark Kent, como tal aparenta ser medroso, tímido e míope. Nele se personifica a estrutura do Mito e a civilização do Romance, mas de longe ainda assim é de uma imagem simbólica de constante imaginação como a de Hércules, pois a virtude do Herói sempre será humanizada e frequentemente ao invés de seus poderes serem sobrenaturais é a alta realização de um poder natural que emana da consciência civil mesmo Clark Kent sendo uma crítica do Super homem à raça humana.

(Não quero aqui desmerecer o trabalho do meu antigo professor, pois guardo uma grande afeição por alguém que teve a algo a me ensinar. Só me designo a esta pequena antítese para discordar e acrescentar alguns pontos.)





sábado, 23 de fevereiro de 2019

A Escola Austríaca: Parte I



Porque nos referimos ás escolas como escola de Chicago, escola das escolhas públicas, escola de Frankfurt ou escola sociológica européia etc. quando nos referimos as ciências sociais,como economia, história, sociologia direito?

Nas ciências naturais como física, biologia , química não há escolas a um consenso maior sobre o que é cientifico e o que funciona, sendo fácil de distinguir uma ideologia sectária de ciência cientifica.
Nas ciências sociais não há isso, seres humanos não são variáveis que possamos manipular ou seja um conjunto de pensamento, metodologia e valores passa a ser conhecido como Escola e dentro das mais diferentes escolas (até das mencionadas acima) que surgiram nos últimos séculos, o instituto Mises Brasil é o maior pesquisador e propagador no Brasil da chamada escola Austríaca.

Então vamos falar sobre escola austríaca?

O que é escola austríaca? O reconhecido e fundador a escola austríaca, Carl Menger (1840- 1921) foi o protagonista da chamada revolução marginalista, Menger desenvolveu a teoria da utilidade marginal segundo a qual o valor do produto ou serviço é determinado segundo a avaliação subjetiva do sujeito sobre um item adicional ou marginal e nao pela matéria prima ou trabalho necessário para a sua fabricação. esta nova descoberta refutoua teoria do valor trabalho defendida na época por karl marx.

A escola austríaca possui uma perspectiva aplicável a todas áreas da ciências humanas e sociais não somente a economia. Ela leva esse nome pois seus pensadores fundadores tinham origem austríaca hoje no entanto ela esta difundida no mundo todo.

Na metodologia, a escola austríaca é de base subjetiva, individualista (baseado na liberdade do individuo frente a um grupo ou ao estado, como o pensador John Locke afirmou ser a existência do individuo anterior a sociedade ou ao estado) e inclinada a preferir lógica dedutiva do que um massacre dados brutos usados nas ciências naturais.

Ludwig Von Mises (1881- 1973) foi o principal expoente dessa tradição, foi o criador do que se chamou de Praxeologia: Ciência da ação humana, que de acordo com este método as leis econômicas podem ser derivadas do fato que seres humanos agem, no sentido de sair de uma situação de maior desconforto para outra de menor desconforto sempre almejando melhorar sua situação em relação ao momento anterior.
Um exemplo disso são as leis fundamentais da economia como a lei da oferta e demanda , a lei da  utilidade marginal, são diretamente dedutíveis da ação humana.
Mises demonstrou as consequências nefastas das intervenções governamentais, nas liberdades individuais, na economia e na sociedade, demonstrou a impossibilidade tanto prática quanto teórica da viabilidade do socialismo (o calculo econômico sob o socialismo, 1920) apontou também os problemas da burocratização, previu os malefícios do capitalismo de compadrio e explicitou que somente uma sociedade livre possibilita mobilidade social, tolerância e real igualdade.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Mr. Robot


 Mr. Robot é de causar muito  logo em seu começo e com certeza na época de lançamento deve ter abalado o público norte americano pela sua íntima ligação com os protestos que ocorreram desde da Primavera Árabe para os incautos indo até a Occupy Wall Street (movimento de protesto contra a desigualdade social e econômica). 

  O protagonista, o hacker Elliot Alderson (Rami Malek) é uma espécie de anti-herói querido que demonstra a Instabilidade emocional e a raiva contra o sistema econômico global, combinado com uma bondade sincera e cativa.  Mr. Robot é a primeira série que retrata fielmente a cultura hacker e já ganhou dois Globos de ouro pela sua temporada de estreia em 2015. 

Em questão de poucos instantes se percebe a influência de outros diretores que o diretor da série Sam Esmail usou em sua série como David Fincher, porém a qualidade de fotografia tenha parecido ser bem original. É difícil não lembrar de House of Cards ou Clube da Luta enquanto se assisti. 
Mas Ok! Esse punhado foi só para você ficar por dentro do que a série é, e do que aborda caso nunca tenha assistido e pretenda ver em breve. 

A mentalidade anticapitalista é explorada quase que irritantemente com intensidade nos dois primeiros episódios, mas que vai suavizando depois e deixando mais interessante, trazendo uma proposta bem revolucionária e, sempre substituindo o termo capitalismo por corporativismo o que confunde um pouco se você é leigo no assunto, e para os que entendem é o que a esquerda mais se utiliza como ferramenta para culpar o sistema econômico invertendo capitalismo com corporativismo e responsabilizando a exploração, desigualdade nas contas dos que produzem.  

Mr. Robot é uma série que vale a pena ver mesmo sendo Libertário, Conservador, Comunista ou anarquista.  Um trabalho bacana que às vezes de forma meio torpe tenta compreender os anseios dos movimentos sociais e da juventude atrapalhada de hoje em todo globo. 

A seguir um trecho do pensamento do personagem Elliot sobre a sociedade:  
 O que na sociedade te desaponta tanto? 
‐ Não sei… Será que é porque todos achamos que Steve Jobs era um grande homem mesmo sabendo que ganhou milhões explorando crianças? 
 Ou talvez porque nossos heróis são uma farsa? O mundo inteiro é só um grande boato. Assediando uns aos outros com comentários imbecis disfarçados de opiniões, e as mídias sociais que fingem promover intimidade. Ou será porque votamos nisso? Não através de eleições fraudadas, mas com nossas coisas, propriedades, nosso dinheiro. Isso não é novidade, sabemos por que fazemos isso. Não porque “Jogos vorazes” nos fazem felizes, mas porque queremos ficar sedados. Porque é doloroso não fingir, porque somos covardes.