Um fato curioso que aconteceu semana passada chamou a atenção da mídia e das pessoas em volta desse novo e já sepultado tema: Apropriação cultural. Os ingredientes dessa nova ideologia já começa com a discriminação ao próximo o que já é muito errado.
Vejamos: Tudo se deu por causa de uma garota branca (como se a cor importasse) com CÂNCER que usava turbante no ônibus e foi repreendida por mulheres que a acusaram de se apropriar de elementos da cultura negra.
O que preocupa esse exagero é que uma parcela significativa de ativistas do movimento negro acreditam que brancos não devem usar turbantes, dreads ou outros adereços e trajes típicos da cultura afro, por se basearem firmemente de que isso seria apropriação cultural.
De forma bem resumida a apropriação cultural seria uma adoção de certos elementos específicos de uma cultura por uma outra cultura distinta, podendo acarretar em uma visão pejorativa por se pressupor que ao inserir a música, religião, arte, língua ou até como nos comportamos socialmente devido a sua remoção se descaracteriza do seu contexto cultural original.
Ainda há a apropriação prática que se baseia no desmembramento de ideias, símbolos, objetos, artefatos e imagem etc.
Mas pararam para pensar de que o mundo hoje esta em completa ebulição social e cultural?
E que como parte desta mudança cultural se deve ao fato do contato cada vez mais próximo entre diferentes culturas?
Esse intercâmbio que diversas etnias hoje compactuam já trouxeram diversas experiências saudáveis, como a Capoeira que irei abordar mais em diante.
É comum em alguns países africanos, mulheres de tribos oferecerem suas roupas e vestirem suas convidadas iguais a elas, para se sentirem bem vindas e integradas a tribo que as acolheram.
Entro até na brincadeira. Em que momento um negro usar terno e gravata seria usurpação de identidade do branco? Nota-se que já se formou uma segregação.
Refletimos de diferentes formas: por mais que o debate talvez realmente exista e para alguns isso signifique algo importante, desde resgatar elementos englobados pela cultura ocidental ou de desraizar isso de nosso cotidiano por uso comum, muitos irão (como eu) ver mais como um ato sem um significado trabalhado na ideia da multiplicidade, abrindo margem para pensar se não é mais um pequeno grupo querendo polemizar e alimentar uma discussão passível de sem fundamento.
Teria muitos argumentos bons e óbvios caso esse tema ganhasse novos capítulos, mas antes que eu fale ao menos de um, convido o leitor a refletir. Sem influenciar sua resposta há ou não outros bons motivos para uma cultura sem apropriação?
Bom o primeiro deles seria a beleza da mistura de culturas e de raças. E não vejo distinção entre intercâmbio cultural e Apropriação cultural ( acho isso um pegadinha de palavras, porém isso é apenas minha defesa, meu pensamento) Brancos aderirem a cultura afro e seus costumes já vem de muito tempo, do candomblé a Capoeira. Quer dizer então que brancos, pardos e orientais não poderiam praticar essa arte maravilhosa? Já pensou como preconceituoso isto seria?
Um dos filhos de Mestre Bimba disse uma vez " Dizem que meu pai ( M. Bimba) embranqueceu a capoeira, pelo contrário, eu diria que meu pai enegreceu muito branco na capoeira"
Não entrando no mérito de que Mestre Bimba pensasse desta forma em sua época, mas é notório o alicerce que foi construído entre classes e etnias antagônicas que se preservaram com certo sucesso até os dias atuais. Se a capoeira continuasse como herança do negro escravo ao seu semelhante até os dias atuais, como ela seria?
Entende-se que foi um processo natural: do primeiro contato com a identificação imediata. Do amor por determinada cultura até ser transmitida por novas gerações. É uma engrenagem universal de que todos fazemos parte.
Desde que haja amor e respeito por mais culturas sem apropriação, até porque o mundo esta intolerável a cada dia, não se importe que os gringos bebam capisaquê e joguem capoeira.
Explore culturas que lhe façam se sentir mais próximo de si mesmo. Mas atente-se, rejeite, questione
valores, desconfie de práticas supra-dominantes. Contracultura será um dos meus próximos temas.
Axé, até!
Autor: Júlio César Onuwachi

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