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Tu ne cede malis sed contra audentior ito,

quarta-feira, 6 de março de 2019

Alguns aspectos sobre o "Mito", Fantasia e ilusão dos Heróis



Certa vez em uma aula um antigo professor meu de Filosofia abordava sobre como o pensamento mitológico grego se assemelhava á concepção dos heróis do capitalismo ocidental, segundo ele especialmente o Norte- americano, já que umas das principais formas de "impor" a ideologia capitalista era por meio da representação da fantasia e ilusão fundamentando-se na origem, na força e nos desejos emocionais dos heróis. 

Ao que entendi, ele se referia também ao Mass media ou, meios de massa já que os heróis ou mitos que ele citou podem ser encontrados hoje em todas as mídias inclusive nas histórias em quadrinhos que é aonde explicarei mais em diante.

Outra crítica levantada é de como tais heróis eram sempre superiores aos homens comuns, permitindo que todos que se inserem nessa forma de pensar é o que determina a identidade humana, sendo segundo ele a ideologia do Capitalismo. 

Confesso que ao reler o livro dele  "Elementos da Filosofia antiga aplicados a comunicação interna como produto de mercado" fiquei incomodado algumas vezes sobre exatamente como ele emprega a palavra 'Ideologia' ao capitalismo. Já que capitalismo não é uma imposição do governo, nem o mercado é uma ideologia em que a teoria necessariamente precede a prática. O capitalismo segundo a escola austríaca de economia ao qual escrevi recentemente no Blog, é simplesmente o que ocorre quando as pessoas tem liberdade para fazer trocas, apoiadas por preceitos fundamentais como direitos de propriedade bem definidos.

Hoje eu compreendo com mais clareza, que o que o meu professor estava se utilizando era de uma corrente de pensamento, ou seja uma outra ideologia para sustentar alguns argumentos.
E essa escola se chama a Escola de Frankfurt. Fica mais claro pra mim quando em uma página da sua obra ele comenta " Nesse mundo capitalista e materialista, temos a necessidade de uma cultura do espetáculo comercial" e completa "Uma das manifestações mais importantes do mito- o herói encontra-se em quase todas as áreas da cultura de massa". 

Para os que não sabem a Escola de Frankfurt explicada bem por cima, foi uma corrente de pensamento de influência Marxista. Para seus criadores tanto Adorno quanto Horkheimer a cultura de massa ou industria cultural, as ideologias vinculadas pelos meios de massa em forma de entretenimento viram a reforçar os interesses da classe dominante, que a "industria cultural" consegue fazer com que os seus consumidores se tornem incapazes de perceber a "opressão" de que são vitimas, que portanto é ilegitimo a cultura, os meios de massa. 

A ESCOLA EUROPÉIA SOCIOLÓGICA

Quem vai dizer o contrário disso, é a escola européia sociológica, mais especificamente o grande escritor, filósofo, linguista Umberto Eco (1932-2016) na sua obra 'Apocalípticos e integrados' (1965) mas a grande maioria o conhece pela obra 'O nome da Rosa' (1980) ao qual acabaria ganhando adaptação em filme estrelado por Sean Connery em 1986.
Eco crítica tanto aqueles que enxergam a decadência cultural provocada pela cultura de massa (Apocalípticos) tanto quanto aqueles que consideram a sociedade de massa a possibilidade de acesso das massas á cultura, (integrados)
Sim, são idéias generalistas para explicar fenômenos mais complexos entre pessimistas e passivos. 
Eles através da Teoria Culturológica validam porque os meios de massa, isto é a cultura de massa é legítima.  Se para a escola de Frankfurt ( teoria crítica) vêem os meios como alienação das massas, por outro lado estes vêem a cultura como aquilo que as massas desejam. Em outras palavras, o que mais atraiam a atenção da escola sociológica eram as produções culturais que envolviam grande público. Eles deram mais atenção aos produtos da chamada industria cultural do que os meios de comunicação. E isto me leva ao último ponto do texto. 


O MITO DO  SUPER HOMEM
Alguns aspectos sobre o "Mito", Fantasia e ilusão dos Heróis

Umberto Eco corrigiu algumas características encontradas em escolas anteriores inclusive a de Frankfurt. O autor analisou algumas produções culturais (Estórias em quadrinhos, filmes, revistas, como mencionado acima) buscando entender a importância que tais produções tinham para o seu público, independente do conteúdo "Alienante ou emancipador" que pudesse conter.
Sendo um capítulo bem extenso dividido por sub-capítulos no já citado livro 'Apocalípticos e integrados' o mito do Superman.

O perfil do fã do Herói, o comportamento e a influência exercida pelo desenho no leitor é considerado pela a semiótica de Eco. Todavia a imagem do Superman não escapa ás possibilidades de identificação por parte do leitor. De fato, o Superman vive entre os homens sob as falsas vestes do jornalista Clark Kent, como tal aparenta ser medroso, tímido e míope. Nele se personifica a estrutura do Mito e a civilização do Romance, mas de longe ainda assim é de uma imagem simbólica de constante imaginação como a de Hércules, pois a virtude do Herói sempre será humanizada e frequentemente ao invés de seus poderes serem sobrenaturais é a alta realização de um poder natural que emana da consciência civil mesmo Clark Kent sendo uma crítica do Super homem à raça humana.

(Não quero aqui desmerecer o trabalho do meu antigo professor, pois guardo uma grande afeição por alguém que teve a algo a me ensinar. Só me designo a esta pequena antítese para discordar e acrescentar alguns pontos.)





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