Quase ninguém sabe, você que está lendo também não saiba, mas eu sou graduado na Capoeira há mais de cinco anos. Tendo começado em 2009 a praticar esta nobre arte, desenvolvida pelos negros durante o regime escravocrata em nosso País. por volta do século XVIII. Outra coisa que talvez você não saiba, é que com a evolução desta luta diversos estilos foram desenvolvidos ao longo do século XX, por mestres como: Mestre Bimba e Mestre Pastinha.
Aproveitando que estamos perto do dia da consciência negra (dia 20 de novembro) irei escrever algumas matérias, sobre movimentos culturais ligado a comunidade Afro e relembrar momentos históricos deste povo aguerrido que derramou seu sangue em busca de liberdade. Começaremos primeiro pela Capoeira.
A HISTÓRIA DOS CAPITÃES DA AREIA
A valorização que antes não havia, se deu por conta de Getúlio vargas então ditador da época durante o estado novo em 1937, quando ele decretou a capoeira patrimônio brasileiro e regulamentando sua prática, só que em lugares fechados, na intenção de acabar com a marginalização que havia na rua pelos negros ainda recém libertos.
Irei narrar em poucos parágrafos, se possível, a história da técnica CAPITÃES DA AREIA, ao qual faço parte. Sim, ela foi criada na metade do século XX, e o nome é relacionado com a obra de Jorge amado, por um motivo: A história dos meninos abandonados, vagando pelas ruas do recôncavo baiano, e se sobressaindo dos perigos que os cercava com a capoeira, despertou o interesse do então Baiano que irei lhes contar a partir de agora.
Almir das Areais (hoje, Anande das Areias) começou a treinar capoeira na sua adolescência em Itabuna, com Mestre Luiz Medicina, o qual é descendente direto de Mestre Bimba. Almir foi um dos capoeiristas que vieram para São Paulo em busca de uma vida mais digna. Começou a trabalhar de dia, e á noite continuou a treinar capoeira, porém com o Mestre Suassuna, o qual possuía uma academia no bairro de Santa Cecília.
Já nessa época Almir era um jovem inquieto sempre raciocinando e buscando novos caminhos, já começa a esboçar pequenas alterações na capoeira que lhe foi ensinada. Ao discordar com Mestre Suassuna em diversos aspectos, Mestre Anande inaugura seu próprio trabalho, localizado no bairro operário do Brás. Seu trabalho foi fundamentado através de pesquisas teóricas e práticas além de investigações históricas da capoeira e de um aprimoramento técnico da luta. Após fraturar o braço em uma roda de capoeira, ao esquivar para o lado contrário ao que vinha o movimento (meia lua de compasso), resolveu desenvolver uma técnica diferente de capoeira. Chamou seu irmão Demir e começou a desenvolver esta nova técnica.
Assim criou o seu método, baseado nas defesas, priorizando a esquiva para o lado que vai o golpe e exigindo a proximidade dos jogadores. Demir tornou-se a mais pura tradução da técnica Capitães da Areia sendo um dos capoeiristas mais temidos e técnicos da sua época se tornando o primeiro formado da Capitães de Areia. Logo se integraram ao grupo Valdir, Carioca, Baiano e Pessoa. Eles também treinaram muito para justificar o novo estilo e conseguir sobreviver no meio da capoeiragem, estando tecnicamente entre os melhores.
Foi dessa maneira que os Capitães conseguiram ser respeitados em todo o Brasil. Depois disso se formaram Valdir, Carioca, Baiano e Pessoa. Por serem muito técnicos e radicais nenhum outro grupo entrava em contato com os Capitães. Em decorrência das pesquisas históricas foi elaborado um sistema próprio de graduação, baseado nas transformações sociais sofridas pelo negro durante a escravidão. Eram usados como forma de graduação correntes, cordas e lenços de seda, procurando representar a graduação com símbolos da opressão elitista e resistência negra.

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