Em 1893, queimou o edital de cobrança da cidade baiana de Bom conselho. meses depois , um protesto contra os impostos acabou em confusão e no assassinato de policiais do distrito de itapicuru. "Não deis a César o que é de César, tal é a máxima desse chefe de seita", escreveu Machado de Assis sobre Conselheiro.
Depois que os conselheiristas se instalaram em Canudos, os agentes fiscais foram tantas vezes expulsos de lá que desistiram de tributar o lugar. O povoado se tornou assim uma espécie de Zona franca do Sertão. Isso favoreceu os negociantes que viviam por ali. Pouca gente sabe, mas a sociedade de Belo Monte NÃO ERA TÃO IGUALITÁRIA ASSIM. Havia na cidade negociantes e comerciantes endinheirados.
O principal deles era Antônio da Mota, dono de uma loja no centro do povoado, que fornecia ferramentas e artigos de couro para as cidades vizinhas. Também viviam ali Antônio Vilanova, empresário enriquecido mesmo antes de chegar ao vilarejo, e Joaquim Macambira, outro que coordenava, a partir de Canudos, negócios com as cidades ao redor.
Esses homens faziam parte da cúpula de Antônio Conselheiro. Os líderes de Canudos pediam que o governo atrapalhasse um pouco menos a sua vida e os seus negócios. (o mesmo pedido legítimo que os empresários e industriais fazem nos dias de hoje).
Será que isso é o bastante para considerar Antônio Conselheiro um Herói do Liberalismo Econômico?
Não: Seria talvez um exagero. Investir nessa imagem seria tão errado quanto compará-lo ao nojento do Che Guevara ou a Jesus cristo. Canudos tem origens muito mais complexas na religião popular e no ressentimento do povo contra o fim da monarquia. Ma o exemplo da Canudos empresarial tem seu valor. Mostra como é fácil puxar a imagem de Antônio Conselheiro para cá ou para lá.
Autor: Leandro Narloch

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