Como se não bastassem os muros,
as perseguições a jornalistas, mortes de civis inocentes e aos filmes
ocidentais, a União Soviética também mantinha uma lista até então oculta de
músicos e bandas proibidas pelo regime. Tratava-se da "Lista de artistas
estrangeiros com um repertório ideologicamente perigoso", lançada pelo
Komsomol, uma espécie de Juventude do Partido comunista da época.
A lista incluía 38 artistas
acusados, entre outras coisas, de erotismo, neofascismo, anticomunismo,
homossexualidade e violência, manifestações tidas como inadmissíveis pelo
Kremlin. Entre os músicos listados, constavam bandas punks, de metal e diversos
artistas pop ocidentais, como, Alice Cooper, Pink Floyd, Donna Summer,Village
People (sacanagem né?) Depeche Mode, Black Sabbath, Iron Maiden e até Julio
Iglesias (acusado de neofascismo) apareciam entre os artistas proibidos de
tocarem em discotecas. Além da lista lançada pelo Komsomol, outros artistas,
como os Beatles, também já eram banidos do país há alguns anos.
O documento, transcrito no livro
Everything was Forever, Until it was No More: The Last Soviet Generation, de
Alexei Yurchak, ainda pedia “um controle mais intenso das atividades realizadas
pelas discotecas” e alertava para que a informação também fosse repassada para
as bandas. O arquivo foi escrito em janeiro de 1985, já no governo de Mikhail
Gorbachev, último presidente da União Soviética.
Qualquer um que fosse religioso
de qualquer forma era culpado de “obscurantismo religioso”. Não importa se você
acreditasse em Deus, no diabo, em magia negra ou qualquer outra coisa. A única
coisa que você deveria acreditar era no partido. Eles não gostavam de letras
violentas porque elas podiam perturbar a ordem soviética.”
A proibição, no entanto, não se
mostrou muito efetiva e a vontade dos russos de apreciarem a música ocidental
falou mais alto. E tudo isso graças à junção de duas palavras muito comuns em
ambientes de forte controle econômico estatal: MERCADO NEGRO (igual aqueles que
você viu no filme o Senhor das armas com Nicolas Cage) Foi nesse cenário de
repressão musical que surgiram os RIBS, a alternativa popular aos discos de
vinil.
Com chapas de radiografias
tiradas dos lixos hospitalares, músicos começaram a copiar faixas de discos
trazidas ilegalmente para dentro do país. As cópias permitiram a popularização
de músicas até então censuradas e, para o documentarista britânico Leslie
Woodhead, tiveram um papel fundamental na queda do regime. Isso fez o fruto
proibido ainda mais doce… as crianças começaram a pensar, ‘o governo nos disse
que essas músicas eram más, mas não é verdade. São músicas adoráveis! Talvez
eles também estivessem mentindo para nós sobre outras coisas.’ Isso teve um
impacto muito corrosivo.”
A música ajudou a derrubar a
tirania comunista por lá, mas só por algum tempo..

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