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Tu ne cede malis sed contra audentior ito,

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A música censurada pelos Soviéticos



Como se não bastassem os muros, as perseguições a jornalistas, mortes de civis inocentes e aos filmes ocidentais, a União Soviética também mantinha uma lista até então oculta de músicos e bandas proibidas pelo regime. Tratava-se da "Lista de artistas estrangeiros com um repertório ideologicamente perigoso", lançada pelo Komsomol, uma espécie de Juventude do Partido comunista da época.
A lista incluía 38 artistas acusados, entre outras coisas, de erotismo, neofascismo, anticomunismo, homossexualidade e violência, manifestações tidas como inadmissíveis pelo Kremlin. Entre os músicos listados, constavam bandas punks, de metal e diversos artistas pop ocidentais, como, Alice Cooper, Pink Floyd, Donna Summer,Village People (sacanagem né?) Depeche Mode, Black Sabbath, Iron Maiden e até Julio Iglesias (acusado de neofascismo) apareciam entre os artistas proibidos de tocarem em discotecas. Além da lista lançada pelo Komsomol, outros artistas, como os Beatles, também já eram banidos do país há alguns anos.
O documento, transcrito no livro Everything was Forever, Until it was No More: The Last Soviet Generation, de Alexei Yurchak, ainda pedia “um controle mais intenso das atividades realizadas pelas discotecas” e alertava para que a informação também fosse repassada para as bandas. O arquivo foi escrito em janeiro de 1985, já no governo de Mikhail Gorbachev, último presidente da União Soviética.
Qualquer um que fosse religioso de qualquer forma era culpado de “obscurantismo religioso”. Não importa se você acreditasse em Deus, no diabo, em magia negra ou qualquer outra coisa. A única coisa que você deveria acreditar era no partido. Eles não gostavam de letras violentas porque elas podiam perturbar a ordem soviética.”
A proibição, no entanto, não se mostrou muito efetiva e a vontade dos russos de apreciarem a música ocidental falou mais alto. E tudo isso graças à junção de duas palavras muito comuns em ambientes de forte controle econômico estatal: MERCADO NEGRO (igual aqueles que você viu no filme o Senhor das armas com Nicolas Cage) Foi nesse cenário de repressão musical que surgiram os RIBS, a alternativa popular aos discos de vinil.
Com chapas de radiografias tiradas dos lixos hospitalares, músicos começaram a copiar faixas de discos trazidas ilegalmente para dentro do país. As cópias permitiram a popularização de músicas até então censuradas e, para o documentarista britânico Leslie Woodhead, tiveram um papel fundamental na queda do regime. Isso fez o fruto proibido ainda mais doce… as crianças começaram a pensar, ‘o governo nos disse que essas músicas eram más, mas não é verdade. São músicas adoráveis! Talvez eles também estivessem mentindo para nós sobre outras coisas.’ Isso teve um impacto muito corrosivo.”


A música ajudou a derrubar a tirania comunista por lá, mas só por algum tempo..

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