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Tu ne cede malis sed contra audentior ito,

quinta-feira, 24 de julho de 2014

As Três paixões de Jorge Amado



Quando tinha 28 anos, o baiano Jorge amado conseguiu defender, ao mesmo tempo, dois dos maiores tiranos do século 20: Adolf Hitler e Josef Stálin. O escritor da baianidade, do cacau e da morena subindo no telhado, Além de escrever capitães da areia, um dos maiores romances da literatura Brasileira (ao qual já li e apreciei de certa forma) era comunista de carteirinha desde que foi ao Rio de Janeiro estudar direito. Ele fez propaganda do Nazismo em 1940, meses depois de a Alemanha e União Soviética fecharem um pacto de não agressão. Naquela época, quem não era bobo sabia dos planos de Hitler- a Alemanha já tinha invadido a Polônia e aos poucos conquistava Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega e França. Mesmo assim Amado virou redator da página de cultura do Meio-dia, então jornal de propaganda nazista no Brasil. Não que o escritor se identificasse com a doutrina de Hitler- a questão provavelmente era financeira. Jorge Amado devia escrever o que lhe pagassem, fosse comunista, nazista ou americano. Durante o emprego no jornal dos alemães, tentou convencer colegas para que trabalhassem para Hitler. No livro "Os dentes do dragão" Oswald de Andrade conta: 


"Em 1940 Jorge amado convidou-me no Rio para almoçar na Brahma com um alemão altamente situado na embaixada e na agência Transocean, para que esse alemão me oferecesse escrever um livro em defesa da Alemanha. Jorge, depois me informou que esse livro iria render-me 30 contos, RECUSEI, e Jorge ficou surpreendido, pois aceitara várias encomendas do mesmo alemão."

O escritor baiano logo pulou fora do nazismo, mas manteve a paixão pelo sorriso de Stálin uma década mais. Em 1951, escreveu "O mundo da Paz", um livro inteirinho para bajular Stálin e os países socialistas. Naquela época quem não era bobo já ouvia falar dos expurgos e das execuções em massa cometidas pelo ditador soviético. Mesmo assim, o escritor baiano chamou um dos ditadores mais cruéis do século 20 (mais até que Hitler, pois foram mais de 23 milhões de mortos contra 6 milhões do ditador nazista) de "Sábio dirigente dos povos do mundo na luta pela felicidade do homem sobre a terra" (menos né?). Décadas depois, em suas memórias, admitiu que fez vista grossa para os problemas soviéticos quando criou o Mundo da Paz.

Famoso até no mundo soviético, onde suas obras comunistas tiveram mais de 10 milhões de cópias, Jorge amado renegou, em 1956, a obra que adulou Stálin. Nesse ano, já estava difícil jogar os crimes do homem para de baixo do tapete. Ma até o fim de sua vida o escritor insistiu no nacionalismo e no regionalismo. 

Certas coisas não mudam, não é mesmo? Até a próxima!

Fontes: Guia politicamente Incorreto da História do Brasil de Leandro Narloch ( recomendo!!), Oswald de Andrade, Os dentes do dragão,Globo, 2009, página 111.


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